TÉNIS
Wimbledon'08: a hora de 'Rafa' Nadal
» Espanhol destronou Federer em Wimbledon

Foto REUTERS
Verdadeiramente épica! Independentemente do desfecho da final de Wimbledon de hoje, favorável a Rafael Nadal (6-4, 6-4, 6-7(5), 6-7(8) e 9-7), será difícil encontrar alguém que não a qualifique desta maneira, tal foi a qualidade do duelo protagonizado entre o maiorquino e Roger Federer. Teve de tudo: muita emoção, grandes momentos de ténis, dramatismo quanto baste, alternâncias no marcador e até a habitual chuva, que prolongou a mais longa partida decisiva do mais tradicional dos torneios do Grand Slam para lá das 21h.
Contudo, quem se sentou em frente ao televisor e se propôs a não perder pitada desta aguardada contenda terá estado, a dada altura do terceiro set, longe de imaginar aquilo que viria a acontecer.
No primeiro parcial, Nadal aproveitou o desacerto de Federer no único ponto de break que este enfrentou (3º jogo) para construir uma vantagem que não mais viria a perder, não obstante as três oportunidades que o suíço teve para igualar o marcador, primeiro a 2-1 e posteriormente a 5-4.

Foto REUTERS
No segundo set tudo pareceu mudar, numa primeira instância, mas tal não passou de mera ilusão. Federer construiu uma vantagem de 4-1, é certo, mas Nadal voltou a revelar-se mais acertivo nos pontos-chave e acabou por não ceder qualquer jogo mais até ao término desse segundo parcial.
Nesta fase, o sonho de criança do espanhol (nunca escondeu o forte desejo de vencer em Wimbledon) parecia cada vez mais próximo. Ainda se temeu o pior, aquando de uma queda feia no início do terceiro set, mas Nadal parecia imune a tudo. Nos jogos seguintes salvou mais seis break-points e dispôs ele próprio de três para quase sentenciar a final, isto no sétimo jogo. Não foi capaz de aproveitar e terá certamente passado uma boa parte da primeira pausa provocada pela chuva a pensar nessas oportunidades desperdiçadas.
Após o regresso ao court, Federer apareceu bem mais solto e confiante e foi sem surpresa que adjudicou o terceiro parcial, num tie-break que controlou totalmente (7-5). Estava relançada a final...

Foto REUTERS
No quarto set, nenhum dos jogadores conseguiu ameaçar a quebra de serviço e, como tal, chegou-se a novo tie-break. Começou melhor Federer, vencedor do primeiro espectacular ponto, mas foi Nadal quem construiu uma vantagem de 5-2, que muitos acreditaram ser decisiva. Ainda para mais tendo ele dois serviços para "arrumar" a questão. No entanto, ao contrário do que é habitual, o espanhol acusou a importância do momento e cometeu uma dupla-falta, antes de deixar uma esquerda na rede.
Dissipou-se a vantagem e foi Federer quem dispôs de set-point a 6-5. Mas Nadal segurou os seus serviços e passou para 7-6, colocando-se, então, a apenas um ponto da glória. Um bom serviço de Federer adiou-a, mas um passing-shot inacreditável do maiorquino deu-lhe nova oportunidade. Aí, fez tudo bem, mas Federer puxou dos galões e desencantou um sensacional passing-shot de esquerda ao longo, imediatamente antes de arrancar um não menos belo drive-volley a meio do court. Segundos depois fechava esse quarto parcial e parecia agora ele bem lançado para o sexto título consecutivo na relva londrina.

Foto REUTERS
Todavia, Nadal nunca se dá por vencido e tratou de provar isso mesmo num 5º set de nervos. Terá sido precisa muita coragem para ultrapassar tantas adversidades e um adversário agora motivadíssimo pela sensacional recuperação protagonizada. Certo é que, apesar do designado "match-point virtual" que teve a 4-3, Federer quase sempre passou por mais dificuldades. Ainda "safou" duas bolas de break a 6-6, mas foi incapaz de repetir a receita aos 7-7 e deixou o seu mais directo rival a apenas um jogo de serviço do título.
E foi ao quarto match-point que o jovem tenista espanhol encerrou finalmente a contenda, quando a noite caía já sobre o Court Central, atribuindo um carácter ainda mais mítico a um duelo sensacional.

Foto AFP
Foi o quinto título do Grand Slam para Nadal, depois dos quatro conquistados em Roland Garros, e o 33º da sua ainda curta carreira. Um título muito celebrado junto da sua comitiva pessoal e partilhado com os príncipes das Astúrias, a quem fez questão de agradecer no final.
Muito emocionado, o tenista espanhol teceu ainda rasgados elogios ao seu adversário: "É impossível descrever o que sinto, para mim era um sonho vencer aqui. O Roger mostrou que é um grande campeão e continua a ser o melhor, pois venceu já 5 vezes, enquanto eu o consegui pela primeira vez".
Por seu lado, Federer reconheceu que "Nadal esteve melhor e mereceu a vitória", realçando que "esta foi a mais dura derrota que alguma vez sofri".
Com este título, a Espanha dá sequência aos domingos de festa e volta a ver inscrito o nome de um seu atleta na taça de prata dourada do All England Club, depois de 'Manolo' Santana, no já longínquo ano de 1966.
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Verdadeiramente épica! Independentemente do desfecho da final de Wimbledon de hoje, favorável a Rafael Nadal (6-4, 6-4, 6-7(5), 6-7(8) e 9-7), será difícil encontrar alguém que não a qualifique desta maneira, tal foi a qualidade do duelo protagonizado entre o maiorquino e Roger Federer. Teve de tudo: muita emoção, grandes momentos de ténis, dramatismo quanto baste, alternâncias no marcador e até a habitual chuva, que prolongou a mais longa partida decisiva do mais tradicional dos torneios do Grand Slam para lá das 21h.
Contudo, quem se sentou em frente ao televisor e se propôs a não perder pitada desta aguardada contenda terá estado, a dada altura do terceiro set, longe de imaginar aquilo que viria a acontecer.
No primeiro parcial, Nadal aproveitou o desacerto de Federer no único ponto de break que este enfrentou (3º jogo) para construir uma vantagem que não mais viria a perder, não obstante as três oportunidades que o suíço teve para igualar o marcador, primeiro a 2-1 e posteriormente a 5-4.
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No segundo set tudo pareceu mudar, numa primeira instância, mas tal não passou de mera ilusão. Federer construiu uma vantagem de 4-1, é certo, mas Nadal voltou a revelar-se mais acertivo nos pontos-chave e acabou por não ceder qualquer jogo mais até ao término desse segundo parcial.
Nesta fase, o sonho de criança do espanhol (nunca escondeu o forte desejo de vencer em Wimbledon) parecia cada vez mais próximo. Ainda se temeu o pior, aquando de uma queda feia no início do terceiro set, mas Nadal parecia imune a tudo. Nos jogos seguintes salvou mais seis break-points e dispôs ele próprio de três para quase sentenciar a final, isto no sétimo jogo. Não foi capaz de aproveitar e terá certamente passado uma boa parte da primeira pausa provocada pela chuva a pensar nessas oportunidades desperdiçadas.
Após o regresso ao court, Federer apareceu bem mais solto e confiante e foi sem surpresa que adjudicou o terceiro parcial, num tie-break que controlou totalmente (7-5). Estava relançada a final...
Foto REUTERS
No quarto set, nenhum dos jogadores conseguiu ameaçar a quebra de serviço e, como tal, chegou-se a novo tie-break. Começou melhor Federer, vencedor do primeiro espectacular ponto, mas foi Nadal quem construiu uma vantagem de 5-2, que muitos acreditaram ser decisiva. Ainda para mais tendo ele dois serviços para "arrumar" a questão. No entanto, ao contrário do que é habitual, o espanhol acusou a importância do momento e cometeu uma dupla-falta, antes de deixar uma esquerda na rede.
Dissipou-se a vantagem e foi Federer quem dispôs de set-point a 6-5. Mas Nadal segurou os seus serviços e passou para 7-6, colocando-se, então, a apenas um ponto da glória. Um bom serviço de Federer adiou-a, mas um passing-shot inacreditável do maiorquino deu-lhe nova oportunidade. Aí, fez tudo bem, mas Federer puxou dos galões e desencantou um sensacional passing-shot de esquerda ao longo, imediatamente antes de arrancar um não menos belo drive-volley a meio do court. Segundos depois fechava esse quarto parcial e parecia agora ele bem lançado para o sexto título consecutivo na relva londrina.
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Todavia, Nadal nunca se dá por vencido e tratou de provar isso mesmo num 5º set de nervos. Terá sido precisa muita coragem para ultrapassar tantas adversidades e um adversário agora motivadíssimo pela sensacional recuperação protagonizada. Certo é que, apesar do designado "match-point virtual" que teve a 4-3, Federer quase sempre passou por mais dificuldades. Ainda "safou" duas bolas de break a 6-6, mas foi incapaz de repetir a receita aos 7-7 e deixou o seu mais directo rival a apenas um jogo de serviço do título.
E foi ao quarto match-point que o jovem tenista espanhol encerrou finalmente a contenda, quando a noite caía já sobre o Court Central, atribuindo um carácter ainda mais mítico a um duelo sensacional.
Foto AFP
Foi o quinto título do Grand Slam para Nadal, depois dos quatro conquistados em Roland Garros, e o 33º da sua ainda curta carreira. Um título muito celebrado junto da sua comitiva pessoal e partilhado com os príncipes das Astúrias, a quem fez questão de agradecer no final.
Muito emocionado, o tenista espanhol teceu ainda rasgados elogios ao seu adversário: "É impossível descrever o que sinto, para mim era um sonho vencer aqui. O Roger mostrou que é um grande campeão e continua a ser o melhor, pois venceu já 5 vezes, enquanto eu o consegui pela primeira vez".
Por seu lado, Federer reconheceu que "Nadal esteve melhor e mereceu a vitória", realçando que "esta foi a mais dura derrota que alguma vez sofri".
Com este título, a Espanha dá sequência aos domingos de festa e volta a ver inscrito o nome de um seu atleta na taça de prata dourada do All England Club, depois de 'Manolo' Santana, no já longínquo ano de 1966.


















