EURO'2008
Destaques: 'A' a 'Z'

Fotos ASSOCIATED PRESS e AFP
A de Aragonés. Começou a prova como o 'avô Luis' e terminou-a como 'San Luis'. Controverso, por vezes teimoso, soube impor as suas ideias e estilo de jogo para levar a Espanha a novo título europeu. Há 44 anos, Aragonés tinha 26, era goleador do Atl.Madrid e nem sequer era internacional. Hoje, é campeão e ganhou um lugar na galeria dos imortais.
B de Ballack. Quase mais um título para o jogador dos 'quases' da temporada 2007/08. Premier League, Champions e Europeu: sempre segundo classificado. Merece destaque também por estar 'habituado' a perder as finais. Esperava-se mais de Ballack, apesar do '13' ter sido o líder que a Mannschaft precisou nos momentos mais complicados, a seguir à derrota com a Croácia e nos jogos com Áustria e Portugal. Depois eclipsou-se.
C de Casillas. Para mim, a figura do Europeu. Pela forma como levantou a Henri Delaunay e não só. Também pelos penáltis contra a Itália, por uma defesa impossível contra a Rússia e pela autoridade demonstrada na final. Aos 27 anos, Casillas é um guarda-redes de eleição, o melhor da actualidade, já ganhou quase tudo o que havia para ganhar e ainda só está a meio da sua carreira. Depois de ter segurado o barco do Real Madrid durante toda a temporada e de ter atingido o topo a nível europeu, haverá coragem para o colocar nos três melhores do próximo prémio FIFA?

D de Deco. O melhor dos Viriatos. Depois de uma época com muitas lesões e em que foi pouco utilizado, Deco chegou ao Europeu com pernas para suportar todo o jogo português. Nos três jogos que fez, de zero a dez, dava-lhe 8 em dois - Turquia e Alemanha - e 9 ou nota máxima frente à Rep.Checa. Que pena já ter quase 31 anos...
E de Espanha. A campeã e a selecção mais regular. Cinco vitórias e um empate, com zero golos consentidos na fase a eliminar. Ultrapassados alguns fantasmas que pairavam sobre a sua cabeça, a Roja tem condições para criar a tal dinastia de títulos? Acredita-se que sim.
F de França. E de falhanço (não, não estou a falar do desastrado Gómez contra a Áustria). Domenech levou quem quis, deixou de fora quem não quis e que o povo pedia e acabou o Europeu a ouvir o que não queria. O jogo com a Roménia foi o princípio do fim, com uma actuação desinteressada; a derrota com a Holanda foi até certo ponto imerecida; e a expulsão do (in)adaptado Abidal foi a causa da eliminação com a Itália. O torneio dos Bleus resume-se facilmente.
G de Grécia. Os milagres só acontecem mesmo de 30 em 30 anos, segundos as palavras de Rehhagel. O anti-futebol da Grécia desta vez não resultou em nenhum jogo e os campeões europeus regressaram a casa envergonhados por não terem sequer conseguido defender condignamente o título. Nós sabemos que eles são os menos culpados; culpados são os que os deixaram ganhar em 2004.

H de Hiddink. Calou muita gente, pelos vistos. Este sim parece ter o toque de Midas. A Rússia nunca tinha passado da primeira fase num Europeu e de repente vê-se numa meia-final, depois de arrasar por completo com a Holanda numa noite inesquecível de Arshavin, Zhirkov, Pavlyuchenko, Semak e companhia. Na semi-final baqueou, mais por mérito dos espanhóis. Muita gente vai ficar com boas recordações deste Europeu às custas dos russos, é certo.
I de Iniesta. A meu ver, só perde na minha eleição da "figura do Europeu" para Casillas. No papel era responsável por um dos flancos do meio-campo espanhol, mas no relvado era quem dava mais perfume ao futebol de toque de bola da Roja. Na memória dos mais atentos vai ficar o passe de morte para Villa no jogo de estreia, o início da jogada do terceiro golo da semi-final e a forma como, na final, foi gigante por entre as torres germânicas.
J de Joachim Löw. O homem das promessas deste Europeu. Antes dos quartos prometeu as meias e depois prometeu a final. Ainda bem que não prometeu a vitória, porque viu-se que não tinha argumentos para a conseguir. Mesmo assim fica como um dos treinadores protagonistas deste torneio, apesar daquele esquema táctico da estreia com a Polónia não lembrar a ninguém. Fica ainda ligado ao episódio bizarro em que dois treinadores foram expulsos: ele e Hickersberger.
K de Klasnic. Dois golos em poucos minutos de utilização para o homem que já teve a carreira em risco. O contra a Polónia foi melhor, a cruzamento de Pranjic, mas o marcado no último minuto com a Turquia parecia suficiente para os croatas tocarem o céu e as meias-finais. Os deuses do futebol não quiseram.
L de Lukas Podolski. Com três golos e duas assistências, Poldi esteve em metade dos golos da Mannschaft neste Europeu. Surpreendeu primeiro pela capacidade de não jogar na área e aparecer frequentemente lá, mas notabilizou-se na fase a eliminar pela forma como se adaptou à ala esquerda. Virou um falso extremo-esquerdo de qualidade. Bosingwa e Pepe que o digam...

M de Mutu. Foi protagonista de um dos lances do torneio. Minuto 85, bola na marca dos 11 metros, Buffon pela frente e Mutu com a possibilidade de «arrumar» com a campeã mundial na fase de grupos e dar praticamente o apuramento à Roménia. Falhou. Ou melhor: Buffon foi enorme e defendeu (na foto). Os de Piturca tinham passado, mas também não merecia. Foram um conjunto organizado, responsável e pouco mais. Lobont, o guarda-redes, foi o melhor dos romenos.
N de Neu Tivoli. Foi o estádio dos primeiros jogos da nova campeã da Europa. E onde o melhor marcados David Villa marcou os seus quatro golos na prova. Depois disto, o Neu Tivoli ainda assistiu ao primeiro ensaio da Rússia com Arshavin. Lá foram os suecos - que viveram de Ibrahimovic - para casa mais cedo.
O de Oranje. Atropelou Itália, França e Roménia (em jogos em que tudo lhe saiu bem), foi dona do melhor futebol do Euro e encantou... até lhe aparecer a Rússia de Hiddink pela frente. Sneijder, Van der Vaart, Kuyt e Van Nistelrooy estiveram em destaque, enquanto Boulahrouz surpreendeu pela positiva e Engelaar mostrou-se à Europa. Van Basten não conseguiu ser o primeiro treinador a revalidar um título conseguido como jogador.
P de Portugal. A grande decepção, pelo menos para nós. Jogámos como nunca nos dois primeiros jogos; depois fomos eliminados como sempre. A novela à volta de Cristiano Ronaldo não ajudou, a assinatura de Scolari também não, porém a verdade é que a Selecção não mostrou estofo para ir mais além. Deco merecia. Mas aqueles golos germânicos não se admitem nem nos distritais.

Q de Que 'frango'!. Falo principalmente do erro de Petr Cech que ressuscitou a Turquia. No melhor pano cai a nódoa, mas os checos desculparam a sua grande figura, como fez Grygera. Por falar em nódoas, Nikopolidis e Rustu vão fazer parte do anedotário deste Euro de entre os que usam luvas e Ricardo também não pode escapar à crítica.
R de Roger Guerreiro. Nascido no Brasil, Guerreiro foi o autor do único golo da paupérrima prestação polaca nesta fase final. Contando com a força de vontade e o voluntarismo da Áustria, a Polónia, depois de ter vencido o Grupo A da fase de qualificação, apresentou talvez o pior colectivo deste Áustria/Suíça.
S de Senna. O pêndulo da selecção campeã. Senna jogou ali quase no seu quintal, com um sentido táctico perfeito, e permitiu que Xavi, Silva e Iniesta se soltassem mais no apoio à frente de ataque. Esteve impecável contra a Itália e na final: os dois jogos em que mais se exigia dele. É, segundo dizem, o primeiro futebolista brasileiro de nascença a vencer um Europeu.

T de Turquia. E de Terim, o comandante da equipa das reviravoltas 'impossíveis'. A grande revelação da competição. Silenciosa como Semih Senturk manda. Com muita sorte à mistura, é claro, mas também com muitas lesões e castigos na fase mais avançada. Maiores destaques: Altintop, Tuncay Sanli, Nihat e Senturk, claro. Volkan Demirel fez falta e tinha evitado que Rustu deitasse tudo a perder.
U de Ujfalusi. O melhor checo do torneio, talvez a par de Libor Sionko. Pela liderança, pela raça e pela consistência que deu à sua selecção, Ujfalusi merecia estar nos 23 da equipa ideal do torneio. Excelente reforço do Atlético Madrid para a próxima época.
V de Valencia. Dois jogadores do clube «ché» com David como primeiro nome: Villa e Silva. Villa foi o "Pichichi" do torneio, tendo necessitado de apenas 180 minutos para fazer os seus quatro golos. Lesionou-se na semi-final, mas a equipa não se ressentiu da sua ausência. Já Silva, por sua vez, esteve a um nível muito alto ao longo de todo o campeonato. Foi o médio que deu largura ao futebol da Roja e acabou por justificar a entrada no onze - que muitos criticaram depois da estreia.
W de Wasilewski. Cá está a letra que quase não encaixava em mais nenhum nome dos presentes neste Europeu. Wawrzyniak, também da Polónia, e o alemão Westermann são os outros W deste torneio. Marcin Wasilewski (do Anderlecht) foi o único que jogou todos os minutos da sua selecção. Sem grandes resultados, está visto.

X de Xavi. O melhor jogador do UEFA Euro 2008. Algum dos campeões tinha que ser, coube a distinção ao patrão da equipa, mais solto que no Barça pela presença de Senna. Está bem entregue a distinção, apesar de outros colegas talvez a terem justificado mais. Sim, falo de Iniesta e de Casillas.
Y de Yakin. Três golos da Suíça no seu Europeu, três golos de Hakan Yakin. É até estranho que tenha começado no banco o jogo de estreia. E entrou na equipa porque a estrela Frei se lesionou. Estranho... Mas Köbi Kuhn é que sabe o motivo.
Z de Zambrotta. Percebeu-se que esta Itália não era a mesma de outra ocasiões quando se viram os erros cometidos na derrota com a Holanda e mesmo o erro primário de Zambrotta no golo de Mutu. Não é nada normal ver-se um defesa italiano fazer uma destas. Talvez por estas e por outras é que Donadoni já foi à sua vida e Lippi está de volta para o assalto ao 2010.


















